Eu já fui uma criança
inocente como qualquer outra. Como todos já foram. Como você que lê isso já
foi.
Eu acreditava em Papai Noel.
Acreditava em seres mágicos como as fadas, bruxas, vampiros e
duendes das histórias que eu lia. Eu acreditava que as nuvens eram feitas de
algodão e que o arco-íris era a visão mais incrível de todas e que, no final
dele, havia um enorme tesouro esperando para ser encontrado por quem fosse
corajoso o suficiente para ir à sua procura.
Eu acreditava em um
bicho-papão que se escondia no meu armário, ou em baixo da minha cama e que,
quando eu fosse desobediente, ele iria me pegar e levar para longe da minha mãe
e do meu pai.
Eu brincava, eu ria, eu
corria, caia e ralava o joelho. Depois, ia correndo para o colo da minha mãe que
fazia um curativo e dizia que iria dar um “beijinho pro dodói sarar mais
rápido”.
E com minha inocência
infantil, meus medos bobos e meu riso alegre, eu fui uma criança feliz.
Mas eu tive de crescer. E
então um véu negro se estendeu diante dos meus olhos. Um véu que destruiu meus
sonhos de criança e começou a dar as tais “explicações lógicas” para tudo que
eu acreditava, matando meu universo de fantasia.
E então as nuvens já não
apreciam tão puras, o arco-íris deixou de ser algo fascinante, os seres da minha
imaginação foram sendo esquecidos e novos bichos-papões começaram a me
assustar.
A solidão, a rejeição, a
confusão dos meus pensamentos com relação ao mundo ao meu redor me assustavam
mais do que qualquer monstro que pudesse estar em baixo da minha cama enquanto
eu dormia.
Esse véu negro tinha um
nome: realidade. A dura e esmagadora realidade de um mundo frio e injusto no
qual você é apenas mais uma pessoa em meio a milhares de outras que também
foram obrigadas a parar de sonhar e fantasiar. Afinal, as contas chegam todo
mês e é preciso pagá-las, com ou sem pote de ouro no fim do arco-íris.
Nós já não somos mais
crianças e o mundo nos cobra responsabilidade, nos cobra atitudes e maturidade.
Entretanto, não precisamos nos tornar adultos sérios e zangados demais como os
vilões dos contos que líamos na infância. Nós podemos rasgar esse véu negro e
começar e sonhar com um mundo melhor. Um mundo solidário, humilde, cheio de
amor e felicidade como as crianças que nós fomos.
E melhor do que sonhar,
nós podemos fazer! Podemos tornar isso possível, uma vez que todos cresçam e se
tornem adultos de bem, sem esquecer da pureza do coração de uma criança.
O mundo não deixou de ser
incrível e fascinante. Assim como o fato de observar um arco de sete cores no
céu depois da chuva te fazia sorrir e te deixava feliz, é preciso admirar e dar
valor às pequenas coisas que a vida nos proporciona. Essas pequenas coisas que
temos todos os dias, de graça e que são capazes de fazer com que o nosso mundo
volte a ser mágico.
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